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[Por Alfredo Salomão -
Redator convidado e parceiro da Cocarbrasil]
Na década de 80, um comercial da Vick VapoRub foi gravado no meu sítio em Vargem Grande. Naquele dia a minha paixão pela publicidade dava seu primeiro suspiro.
Alguns anos depois, meu primo entrou para a faculdade de comunicação e começou um estágio numa grande agência de publicidade carioca. A cada papo com ele esta paixão crescia. Na mesma época no cursinho pré-vestibular descobri que a redação era a minha vocação. Fiquei na dúvida entre cinema e comunicação. Influenciado pelo meu primo, acabei escolhendo a faculdade de comunicação. Ainda continuei um tempo na dúvida entre jornalismo esportivo e publicidade. A minha imparcialidade explícita nos jogos do Flamengo e ter feito um bom título na primeira aula de redação publicitária me fizeram escolher a profissão de redator publicitário. Em 1997, esta vocação foi confirmada quando terminei em segundo lugar no clube do futuro do Clube de Criação do Rio de Janeiro entre milhares de estudantes. Entendeu que nada é por acaso?
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[Por Eduardo G. Murad -
Professor universitário e consultor]
Acaso, destino, escolhas, teoria do caos, o que melhor explicaria os caminhos que percorremos em nossas vidas? Não tenho respostas. Fica ao cargo do leitor decidir, escolher, experimentar.
A perspectiva de que tudo já estaria escrito ou que Deus tem algo reservado para nós descarta o livre arbítrio, a responsabilidade sobre nossas escolhas? O que é mais reconfortante?
O filme ganhador do Oscar de 2009 – “Quem quer ser um milionário?” - conta a história de um rapaz que parece ser destinado a ter um lugar ao sol. Contudo, fica claro, desde o início, que ele faz um conjunto de escolhas diante do que a vida lhe apresentará. Ele tem um objetivo claro. Cada experiência de vida lhe permitiu saber a resposta de uma das perguntas. Seu irmão, por sua vez, diante das mesmas situações, das mesmas encruzilhadas, escolhe caminhos que lhe dão um “destino” diferente.
Se considerarmos que o tempo é uma escala linear, podemos nos questionar o “se”, “e se fosse diferente?”. E se eu tivesse escolhido o sim ao invés do não, ir pela esquerda ou pela direita... Podemos imaginar que o desenho da linha temporal de sua vida teria uma quebra, um desvio que impactaria a linha de tempo de todos que o cercam. Alguns autores de ficção brincaram com as infinitas possibilidades que a lógica temporal do “acaso” nos dá.
Três filmes me chamam a atenção: a trilogia “De volta para o futuro”, “Corra Lola, corra” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Em todos os três, bastaria uma escolha diferente das personagens principais, para que todo o seu “destino” fosse diferente.
Na trilogia “De volta para o futuro”, toda vez que se interfere em algum acontecimento no passado, todo um futuro alternativo é criado. Fica a pergunta: eles existiriam em dimensões paralelas? Teremos outras existências em dimensões paralelas que representam as escolhas alternativas que poderíamos ter feito? Todos os filmes que falam de máquinas do tempo questionam se o conhecimento e a possibilidade de interferência tanto no passado (sua história), quanto no futuro (o por vir) não poderiam gerar uma ruptura na linha tempo-espaço que afetaria a todos de formas imprevisíveis.
No caso de “Corra Lola, Corra”, Lola, a personagem principal, a partir de um mesmo ponto - uma ligação de seu namorado falando que ele precisa de muito dinheiro para se livrar de um gangster até o meio dia –, são desencadeadas várias possibilidades. Cada vez que ela vive ou imagina os acontecimentos futuros, ela modifica o resultado da vida de todos os que têm contato com ela. O que aconteceria se pudéssemos ver o futuro? E se você só pudesse saber o dia de sua morte? Tornaria a vida mais bonita e fascinante ou uma sucessão de fatos sem relevância?
E se fosse possível viver a vida o contrário? E se dos resultados vivêssemos os processos que nos levaram até lá? Teríamos uma vida mais feliz ou a felicidade depende, mais uma vez, de quem nós somos? O que nos define? São nossas características inatas, a mão de Deus ou as nossas atitudes cotidianas sobre o que Deus nos dá? Quem escolhemos ser? Está delineado em nosso DNA até onde podemos alcançar, ou são nossos sonhos, desejos, esforços e decisões, como no filme “GATTACA” ou ainda, no livro “O admirável mundo novo”.
As “coincidências da vida” me trouxeram até aqui, diante de vocês, através desse texto. Há quase quinze anos atrás, ainda na faculdade, na UFF, em Niterói/RJ, ao conversar com um amigo sobre como criar um diferencial competitivo para nossas carreiras, ele me mostrou em um jornal que estavam abertas as inscrições para um curso técnico em programação visual no SENAI de Artes Gráficas, no Rio de Janeiro. Nós queríamos ser diretores de arte e sentíamos falta de uma série de conhecimentos técnicos. Meu amigo ficou muito interessado. Resolvi lhe ajudar e prometi que iria com ele fazer a inscrição. Ficamos alguns dias sem nos ver. Curiosamente nos encontramos no meio das ruas do centro de Niterói, no último dia de inscrição. Eram 17h e a secretaria do SENAI fechava às 18h30min. Um tanto chateado ele me disse “(...) você prometeu que iria comigo, só para me incentivar, não foi?(...)” Era verdade. Tomei uma nova decisão naquele momento. Disse que iríamos naquele momento. Pegamos a barca para o Rio. Ao chegar ao SENAI eram exatamente 18h28min. Fomos os últimos a entrar. Eu tinha todos os documentos necessários comigo por que estava enviando meu currículo e documentos para algumas oportunidades de estágios listadas na faculdade. Ele por desejar fazer a matrícula, mas não ter coragem de arriscar. Até a foto que pediam teve uma solução. Eu andava com uma carteira da biblioteca no bolso. Ela tinha uma foto um pouco antiga, mas era eu. Ou seja, tínhamos tudo. Ambos fizemos as provas. Eu passei e ele não. Acabei cursando, fazendo amigos para toda a vida e aprendendo conteúdos que uso até hoje como professor universitário e consultor. Foram as minhas várias decisões que me possibilitaram fechar até aqui.
Somos uma flecha inanimada lançada por um arqueiro em uma parábola com destino pré-determinado ou somos uma águia que interage com as térmicas, plana, muda de direção e, em sua trajetória multivariada, vivencia as mais diversas experiências que lhe são apresentas?
Acredito que o desejo de que haja um destino programado para nós é uma ilusão de controle típica das sociedades atuais. “Nada é por acaso” e “tudo é por acaso”, são nossas pequenas escolhas a cada instante que nos conduzem pelos caminhos que se apresentam diante de nós.
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